Perdido na Metrópole - Parte XLIII
|
Não sou mais o mesmo. Absolutamente.
Prossigo enclausurado em minha kitchenette. Barba por fazer. Cara de poucos amigos. Não estou deprimido de novo, devo esclarecer. Afazeres domésticos acumulados. Meus três neurônios cansados, fixados na tela e no teclado do Genival, meu PC maluco, doze a treze horas por dia. A cada dia uma novidade virtual. Nem me lembro mais o que era minha vida quando sequer sabia ligar um computador.
Mudei. Sou outro e nem caíram todas as fichas ainda. Posso estar sendo repetitivo... Todavia, o fato deste artigo ser autobiográfico deve justificar o buraco negro internético sem fim pelo qual esta coluna adentrou.
É certo que ainda cometo muitos erros informáticos. Mais até do que os ortográficos. Entretanto, tenho operado verdadeiros milagres nesta área no que se refere ao meu aprendizado relâmpago.
Quem acompanha a Perdido na Metrópole desde o início, sabe bem ao que estou me referindo. Só quem não nasceu através de um download, como a geração atual, desconfia e sente na pele o que estou passando.
É um outro mundo.
Desde que retornou do coma profundo, devido ao vírus assassino que o pegou de surpresa, Genival não é mais o mesmo. Não é mais o mesmo, como eu. Nós dois mudamos juntos. Ele não tira mais tanto sarro da minha cara quando cometo aquelas gafes grotescas. Isto é incrível!
Estamos em paz. Também! Full time preso a este troço!
Não temos outra saída senão relaxar e nos suportar um ao outro. Mandar e-mail esquecendo de anexar o documento em questão já se tornou minha marca registrada. Mando a mensagem e é batata! Alguém me responde delicadamente, logo em seguida. – Gostaria muito de ter lido seu novo texto! Mas tem como você anexá-lo da próxima vez. Antigamente ficava noites e mais noites sem dormir por este motivo. Hoje, dou risada. Acontece.
E não estou só, neste campo das gafes virtuais. Vira e mexe uma assessora de imprensa ou outra, por desespero ou urgência em enviar uma informação, esquece de utilizar a cópia oculta e manda aquela centena de @s aparecendo para Deus, o mundo e para as torcidas do Flamengo, do Corinthians, do Cruzeiro e do Grêmio. Há, Há, Há! Minha vingança. É a festa da moçada que vive da venda de @s! O planeta Terra é uma imensa @.
Na semana passada, atrasei a entrega da minha crônica devido ao vírus. Desta vez, atrasado de novo, o motivo é outro: vírus neuronial. Estou tão plugado, conectado na Rede 24 horas, todos os dias, que estou me esquecendo de viver além do universo de Matrix. O filme estava certo. Esta coisa engole gente. É um bicho papão faminto. Louco por neurônios suculentos. Até o Adilsom tem ficado quieto. Utilizo o Genival para ouvir música. O tal de MP3. Ainda não conheci o Kazaa, que para mim é nome de mágico revelado no Programa do Gugu. Não é necessário. É só ficar quieto aguardando aqueles que adoram enviar uma musiquinha nova para caixas postais alheias ou por MSN. E quem trabalha em uma TV de música na Internet, o meu caso, alvo fácil. Não posso reclamar. Recebo muita coisa boa. Mas também...
Voltando ao assunto dos deslizes ao teclado, vou aproveitar para dar uma de Genival e tirar um grande sarro do meu amigo Netinho, baterista do Os Incríveis.
Netinho, utiliza seu computador diariamente. Mas, ainda não está adaptado ao esquema. Se sou o perdido na metrópole, ele é o perdido na informática. Suas mancadas são históricas.
A direção da NETMUSIC lhe mandou um e-mail com sua senha de acesso ao sistema do site-TV. Ele, colunista do veículo, quando viu a palavra NETMUSIC no item assunto, não teve dúvida. Sem pensar duas vezes e sem sequer abrir a mensagem para conferir o que era, repassou a correspondência sigilosa, julgando tratar-se de seu texto publicado, para todo o seu mailing. 256 pessoas ficaram sabendo qual era sua senha! Netinho é vítima de chacotas, devido ao ocorrido, até hoje. E já se passaram três longos meses.
Ele vai ficar bravo comigo, porém perco o amigo, mas não a piada! Irá me perdoar. Espero. Quando algum leitor de sua coluna virtual lhe deixa uma mensagem no mural do site, o sistema, automaticamente lhe repassa o conteúdo. Porém, esta mensagem, se for respondida diretamente, não vai para o leitor em questão e sim para a central da NETMUSIC. Nosso sistema ficou sabendo tudo o que o meu amigo respondeu aos seus fãs durante quinze dias. Ainda bem que ele não falou nada pessoal ou impróprio para menores, nem o faria. Quando alertado, a diversão foi total. Sua filha Samadhi, morando e estudando na Austrália atualmente, fica ao meu lado na hora de avacalhar o distraído pai-amigo.
Mas... É assim mesmo. Que bom que temos estas fofoquinhas inocentes para nos distrair do conturbado cotidiano.
Netinho, por favor, continue assim. É muito bom saber que existe alguém mais atrapalhado do que eu com esta geringonça denominada computador.
Sou da época que papel de parede era para a parede mesmo!
Prometo mudar de assunto na próxima semana. Isto se não inventarem um novo vírus.
|
|
* Silvio Alvarez é colunista, radialista, assessor de comunicação e artista plástico de colagem. Visite o blog do Perdido - perdidonametropole.zip.net
|
|