Home   Colunas   Artigos RH   Contato  

Colunistas:   

 

Perdido na Metrópole - Parte XLIV

Parece que São Pedro resolveu dar uma trégua. Justo agora que comprei um caiaque e um escafandro novinhos em folha para sair às aguadas ruas da minha metrópole. Pouco saí de casa. Fiquei úmido só de ler o noticiário.

O dinheiro anda curto. Entretanto, as contas não me abandonam jamais. O Bill Gates faz de tudo para que eu não saia da frente do Genival, meu PC, que aproveita para mandar um abraço a todos. Mesmo com os troquinhos contados, agora aprendi a ir ao banco pelo computador. Vão dizer que isto já existe há séculos. Eu sei. Tudo bem. Mas não estraguem o deslumbramento de uma criança feliz. Aprendi há poucos dias. Muito legal! Senti falta das filas. Melhor ficar quieto senão inventam. Uma @ atrás da outra, esperando. Fiz todas as operações ao meu alcance. Na euforia deu vontade até de investir em ações. Pensei logo em comprar a Microsoft de uma vez e ser sócio do Bill. Seria bacana!

O Genival, quando vai ao banco, faz quase tudo. Sacar dinheiro ele não saca. Ainda! Para botar a mão na bufunfa minguada, tenho de ir ao caixa eletrônico. Os bancos 24 horas eram mais simples no meu tempo. Não satisfeitos em nos obrigar a decorar senhas numéricas, agora inventaram um complemento de três letrinhas. Só que não podemos digitar direto as letras. Por que? Então vem aquele troço de doido. Letras associadas a números que sempre são trocados. Senhores banqueiros... Tenham piedade. Deste cronista magrelo com um cérebro a meio vapor... Tive de decorar tantas senhas ultimamente que esqueci meu próprio nome. Não é brincadeira. E quando acabamos de registrá-las, no banco, as mocinhas (clones da Ana Paula Arósio), 21 vezes simpáticas, do atendimento, nos orientam perguntando... O senhor já decorou sua senha? Não é bom andar por aí com ela anotada. Eu sei. Mas o que você pensa que eu sou? Um banco de dados? A Barsa de calças? Se alguém me assaltar e tentar arrancar de mim as senhas todas estarei morto e enterrado. Por que? Não lembrarei tudo nem sob a pior das torturas. Nem com a Kelly Key e a Luka, juntas, cantando aos meus ouvidos por 48 horas.

Não posso reclamar. Estou de volta ao mundo das finanças.

Peço um aparte para explicar algo aos leitores. Fiquei afastado das grandes cidades, devido a uma depressão brava, por mais de dez anos. Nos idos de 1995, mais ou menos, entrei naquela canoa furada do cheque especial. Aquele guarda-chuva que o gerente te dá quando está o maior sol e te tira rapidinho quando cai o pé d’água. Este mesmo! Aquele que o gerente te oferece em troca de um segurozinho ali, uma previdenciazinha privada acolá. Este mesmo! Pois é. Entrei nesta. Na época os juros eram bem maiores. Do cheque “espacial”, então, nem se fale. Era a época que você ia ao banheiro e quando voltava tudo tinha subido de preço. Como já estava deprimido mesmo... Piorou. O meu “amigo gerente” foi bem camarada. Esperou que devesse as calças, as cuecas e o resto, para avisar que eu poderia ter feito um acordo e evitado o rombo. Que gracinha! - Se hoje sou deserto é que eu não sabia... Este foi o Adilsom, meu rádio. Ele adora Fagner.

Bom, foi assim que fiquei sem crédito por um longo e tenebroso inverno. Agora tenho crédito de novo. Tenho até talão de cheques. Mas... Não tenho dinheiro. Nem tudo é perfeito.

Prioridades estabelecidas, mãos à obra. Comida. Preciso comer. Não sabiam? Pois é. E dá-lhe macarrão instantâneo. R$ 0,58 o saquinho. Não existe nada mais barato. Pipoca não vale! E, como não tenho fogão e moro sozinho, vai tudo para o forno microondas, o Epaminondas companheirão. Até esta gororoba macarrônica, preparo nele.

Queridas telespectadoras do Bom Dia com o Perdido! Vou dar a receita! Peguem uma tigela com água (H2O de preferência – não sei fazer aquele 2 pequenininho). Amigas... Abram o saquinho do negócio que chamam de comida. Não se esqueçam de tirar o pacotinho prateado contendo o molho-tinta de dentro. Pelo amor de Deus. Coloquem o macarrão-pedra dentro da tigela e deixem-no sentir um Gustavo Borges. Afoguem-no. Em seguida carreguem a tigela até o forno microondas sem deixar cair o conteúdo. Abram a porta do dito cujo (importante) e fechem (igualmente importante). Podem programar para três minutinhos, queridas amigas companheiras... Liguem o forno pô! Prontinho! Tirem o excesso de água da papa que se formou... Pode jogar na pia, não derrete o encanamento. Ahhh! Joguem a tinta em pó por cima.

Como não tomei vergonha na cara ainda, tenho de gastar boa parcela do meu PIB com o famigerado vício dos cigarros. Nos dias de vacas bem magras mesmo, apelo para os cigarros paraguaios. Eles vêm sem doença na embalagem. A doença custa cinqüenta centavos a mais. Um real o maço. Cada dia um nome diferente: 007, US, Tetra, Campeão, Fórmula 1... O problema é que só os camelôs vendem este veneno em maço. E os camelôs estão sendo seriamente perseguidos. Até parece que é contravenção o que fazem. Já os acalmei. É só até as eleições passarem. Depois volta toda a bagunça de sempre. Meu vendedor de cigarros falsificados não agüenta mais ir de uma esquina a outra. Coitado. Nem sempre o encontro. O Ministério da Saúde adverte... Eu, fumante, sou uma anta! Eu sei. Estou fazendo força para largar este vício. Acreditem. Enquanto isto...

Ilustração: brunoartes@uol.com.br


 
[0] comentarios  

* Silvio Alvarez é colunista, radialista, assessor de comunicação e artista plástico de colagem. Visite o blog do Perdido - perdidonametropole.zip.net

Silvio Alvarez

HotSite

  * Perdido na Metrópole - Parte XLVIII

  * NossaMúsica.com: Abertas as Inscrições para o 6º Prêmio Weril para Solistas de Sopro

  * NossaMúsica.com: Três Vezes Tom Zé

  * Perdido na Metrópole - Parte XLVII

  * NossaMúsica.com: Alejandro Sanz apresenta disco premiado no Credicard Hall

  * NossaMúsica.com: Senna in Concert homenageia herói Ayrton Senna

  * Perdido na Metrópole - Parte XLVI

  * NossaMúsica.com: Marisa Orth e Vanessa da Mata inauguram nova série musical no CCBB

  * Perdido na Metrópole - Parte XLV

  * Perdido na Metrópole - Parte XLIV

  * NossaMúsica.com: Carnaval no Hospital

  * NossaMúsica.com: Rita Ribeiro lança novo videoclipe no Espaço Unibanco de Cinema - Grande Sacada

  * Perdido na Metrópole - Parte XLIII

  * NossaMúsica.com: Filosofia do Adilsom

  * NossaMúsica.com: Menino prodígio no samba

««  página 13 de 22  »»    ir para página  

 
contato

© 2000-2010  40graus.com (Todos os direitos reservados)
Produced by wSoMa