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A dança da serpente

Nem Deus conseguiu acabar com a astúcia da serpente, e ela quando encontra uma mulher igual à Eva no paraíso, acaba convencendo-a de comer a maça da árvore do Bem e do Mal.

Só que está serpente do mal se encontra no Congresso Nacional e está salvando todos os deputados que recebiam os mensalões, usa do corporativismo, usa da falta de ética, usa da falta de moral, usa da ganância dos parlamentares, usa da impunidade dos mesmos, usa da falta de vergonha de quem governa, e, para surpresa do povo, ela incorporou a deputada Ângela Guadagnin (PT-SP), que após a absolvição de mais um de seus colegas, no caso o deputado João Magno - PT, saiu dançando em pleno plenário da Câmara Federal.

É a dança da vitória da prevaricação, da imoralidade, da falta de respeito à população, do estelionato eleitoral, da representação indevida, do uso da máquina pública para proveitos pessoais, é a dança da serpente, é a dança astúcia maldosa, é o mal vencendo o bem.

O Congresso Nacional nesta estória perde toda credibilidade, tornou-se um poder vendido ao poder executivo. Está tão deteriorado que o poder judiciário dá direito aos chamados para depor na comissão de ética de poderem ir com hábeas corpus, para nada falarem, fazendo do Congresso um poder subalterno, além de dizer que os deputados não agiriam de conformidade com a lei que instituíram, caso contrário não dariam este hábeas corpus a possíveis criminosos.

Com esta gente governando o Brasil até a democracia conquistada a duras penas fica horrorizada com tanta desfaçatez. O problema se encontra nos três poderes governamentais. E, com isto, a oligarquia acaba rindo e ganhando muito dinheiro, a classe média urbana e rural cada dia mais sufocada e com a corda no pescoço, o proletariado cada dia ganhando menos com a rotatividade da mão de obra, e os miseráveis ganhando assistencialismo como bolsa família, renda mínima, cesta básica, leve leite...

Na verdade, necessitamos mudar está democracia representativa, que vemos não representar a maioria do povo, e começarmos a pensar numa democracia participativa, com Conselhos Técnicos Setoriais, onde o povo possa interagir constantemente com idéias, sugestões e principalmente fiscalização. Senão teremos que agüentar a corrupção que se instalou nos poderes do Brasil.


 
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* Isaac Sayeg é jornalista e escritor

Isaac Sayeg

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